A Evolução do Marketing: Uma Jornada Estratégica do Produto ao Propósito
- Paloma Bower

- 5 de jun.
- 4 min de leitura
Segundo Philip Kotler, a evolução do marketing reflete transformações profundas na sociedade, no comportamento do consumidor e no avanço da tecnologia. Desde o foco exclusivo no produto até o compromisso com o impacto coletivo, as empresas precisaram — e ainda precisam — se adaptar a novos paradigmas.
Este artigo aprofunda as seis principais fases do marketing, conhecidas como Marketing 1.0 a 6.0, oferecendo uma análise crítica de cada etapa com exemplos práticos, aplicações estratégicas e implicações para os negócios.
Marketing 1.0 — O Marketing Centrado no Produto (1950–1980)

Contexto histórico:
Pós-Segunda Guerra Mundial;
Auge da produção em massa;
Escassez de oferta em relação à demanda.
Características principais:
Foco exclusivo no produto;
Comunicação unidirecional e massiva (TV, rádio, jornal);
Valorização de atributos técnicos e funcionais;
Pouca ou nenhuma escuta do consumidor.
Objetivo estratégico:
Evidenciar as qualidades do produto como diferencial competitivo. Acreditava-se que “um bom produto se vende sozinho”.
Exemplo aplicado:
Ford Motor Company — ao implantar o modelo de produção em linha, reduziu custos e popularizou os automóveis. O marketing reforçava eficiência, acessibilidade e inovação técnica.
Desdobramentos:
Criação dos primeiros slogans e jingles publicitários;
Campanhas baseadas na superioridade do produto e confiabilidade da marca;
Ausência de segmentação.
Marketing 2.0 — O Marketing Centrado no Consumidor (1990–2000)

Contexto histórico:
Abertura dos mercados globais;
Crescimento da concorrência;
Consumidores mais exigentes e informados.
Características principais:
Segmentação de mercado;
Mensagens personalizadas;
Valorização do relacionamento com o cliente.
Objetivo estratégico:
Compreender as necessidades e desejos do consumidor, adaptando produtos e mensagens ao perfil de cada público.
Exemplo aplicado:
Amazon — ao introduzir seu sistema de recomendação baseado em dados de comportamento, mostrou que o marketing poderia ser proativo na antecipação de desejos.
Mudanças fundamentais:
Desenvolvimento de ferramentas de CRM;
Maior investimento em pesquisa de mercado;
Início do marketing direto e e-mail marketing.
Marketing 3.0 — O Marketing Centrado no Ser Humano (2000–2010)

Contexto histórico:
Expansão da internet;
Maior acesso à informação;
Crescimento da preocupação com ética, propósito e responsabilidade social.
Características principais:
Humanização da marca;
Discurso baseado em valores e causas;
Alinhamento entre propósito e posicionamento.
Objetivo estratégico:
Criar conexão emocional com o consumidor, reconhecendo-o como um ser humano completo com crenças, valores e aspirações.
Exemplo aplicado:
Sportv com o projeto Doe Gols — a cada gol no campeonato, a marca doa um par de tênis. A campanha cria um elo entre entretenimento e impacto social, fortalecendo o valor da marca.
Conceitos-chave:
Brand purpose (propósito de marca);
Storytelling como ferramenta de conexão;
Marketing de causa e responsabilidade social corporativa.
Marketing 4.0 — O Marketing da Experiência e da Conectividade (2010–2020)

Contexto histórico:
Consolidação das redes sociais;
Explosão do mobile e da cultura on-demand;
Novas gerações com comportamento digital nativo.
Características principais:
Foco na experiência do usuário (UX);
Conteúdo personalizado e interativo;
Integração entre canais físicos e digitais (omnichannel).
Objetivo estratégico:
Proporcionar jornadas fluidas, memoráveis e personalizadas. O marketing deixa de ser apenas informativo para se tornar vivencial.
Exemplo aplicado:
Netflix — com algoritmos avançados, recomenda conteúdos com base em preferências individuais, aumentando engajamento e fidelização.
Ferramentas e estratégias emergentes:
Customer Experience (CX);
Marketing de conteúdo;
Social listening e SAC 2.0.
Marketing 5.0 — O Marketing Baseado em Dados e Inteligência Artificial (2020+)

Contexto histórico:
Avanço das tecnologias de IA e machine learning;
Transformação digital acelerada pela pandemia;
Hipercustomização e tempo real como nova regra.
Características principais:
Coleta e análise massiva de dados (Big Data);
IA aplicada à personalização, predição e automação;
Marketing em tempo real (real-time marketing).
Objetivo estratégico:
Antecipar comportamentos e necessidades, criando soluções altamente personalizadas e entregues no momento certo.
Exemplo aplicado:
Assistentes de IA (como Google Assistant, Alexa e chatbots) — além de interagirem com os consumidores, recolhem dados para melhorar experiências futuras.
Técnicas utilizadas:
Análise preditiva;
Automação de marketing;
Testes A/B automatizados com aprendizado de máquina.
Marketing 6.0 — O Marketing Centrado no Coletivo e no Propósito (2020+)

Contexto histórico:
Crise ambiental e social global;
Consumidor mais consciente e ativista;
Pressão por ESG (Environmental, Social and Governance).
Características principais:
Foco no coletivo e na sustentabilidade;
Marcas como agentes de transformação social;
Propósito real como diferencial competitivo.
Objetivo estratégico:
Atuar com responsabilidade social e ambiental, promovendo impacto positivo para além do lucro.
Exemplo aplicado:
Patagonia — doa 100% de seu lucro para causas ambientais. A marca sustenta um discurso coerente com ações práticas e posicionamento ativista.
Tendências associadas:
ESG branding;
Green marketing;
Economia do propósito e capitalismo consciente.
Conclusão: O Marketing como Reflexo e Agente da Sociedade
A evolução do marketing não é linear, mas sim adaptativa e sensível ao seu tempo. A cada nova fase, surgem desafios e oportunidades que exigem das marcas um novo olhar, mais empático, tecnológico e responsável.
Kotler não nos mostra apenas um caminho técnico — ele propõe uma filosofia de marketing. Uma visão em que o consumidor é mais do que um número, e o sucesso de uma marca depende da sua capacidade de criar valor real, emocional e coletivo.
Em tempos de marketing 6.0, o maior ROI pode ser medido em impacto positivo.
.png)





Comentários