Cancelamento e Marketing: Transformando Crise em Oportunidade
- Paloma Bower

- 8 de out. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 31 de jan.
No mundo hiperconectado das redes sociais, o "cancelamento" se tornou um fenômeno frequente. Celebridades e figuras públicas são rapidamente criticadas e julgadas, muitas vezes sendo "canceladas" por ações ou comentários controversos. No entanto, enquanto para muitos isso pode parecer o fim de uma carreira, algumas celebridades têm aproveitado o cancelamento para impulsionar o lançamento de novos produtos. Este artigo explora como figuras como Blake Lively e Beyoncé usaram momentos de cancelamento para lançar marcas de produtos de beleza, revertendo a negatividade e criando oportunidades de mercado.

O Cancelamento como Estratégia de Marketing
O cancelamento geralmente é visto como um pesadelo de relações públicas. Ele vem acompanhado de uma enxurrada de críticas, perda de seguidores e ameaças à reputação. No entanto, há um lado menos discutido: a visibilidade que o cancelamento gera. Em um ambiente onde o ciclo de notícias é rápido e os holofotes são fugazes, qualquer atenção pode ser capitalizada. Celebridades que enfrentam cancelamento podem usar essa explosão de visibilidade para reposicionar sua imagem e, em alguns casos, transformar uma crise em uma oportunidade de marketing.
O gerenciamento de crises e a reconstrução de reputações são componentes-chave dessa estratégia. Quando bem conduzidos, permitem que a atenção gerada pela controvérsia se desloque para um novo produto ou marca. Em vez de tentar "desaparecer" e esperar que as críticas se acalmem, algumas celebridades escolhem lançar algo novo, desviando o foco para uma narrativa de inovação e transformação.
Exemplos Práticos
Blake Lively, atriz e empresária, enfrentou um cancelamento significativo, seguido por duras críticas online. No entanto, ao invés de se esconder das críticas, Lively usou a tempestade midiática a seu favor. Em meio ao cancelamento, ela lançou uma linha de produtos de beleza, que rapidamente ganhou tração. A estratégia foi clara: a atenção já estava voltada para ela, então por que não capitalizar sobre isso? Ao reverter o cancelamento em uma oportunidade de negócios, Lively conseguiu reescrever sua narrativa pública, transformando o que poderia ser um ponto baixo em sua carreira em um ponto de virada.
Beyoncé está passando por fases de cancelamento (não entrando em questões de deve ou não ser cancelada e seus devidos crimes), com críticos apontando erros ou controversas em suas ações. No entanto, como uma das maiores estrategistas de marketing da música e dos negócios, ela soube transformar o cancelamento em uma ferramenta de lançamento. Durante uma dessas fases, Beyoncé lançou sua própria linha de produtos de beleza. A ação, cuidadosamente planejada, coincidiu com o pico das críticas, aproveitando a atenção midiática para promover seu novo empreendimento. Isso não apenas apagou o cancelamento, mas também solidificou seu status como uma das empresárias mais bem-sucedidas e visionárias da atualidade.
A psicologia por trás dessas estratégias de marketing é fascinante. O público que participa ativamente do cancelamento tende a ser atraído pelo drama e pela controvérsia. Ao introduzir um novo produto no auge do interesse público, essas celebridades aproveitam a curiosidade das pessoas para ver como elas irão reagir ao cancelamento.
A estratégia não é apenas sobre “esquecer” o cancelamento, mas sobre reabilitar a imagem de forma inteligente. A narrativa passa de uma figura cancelada para alguém que está se reinventando e se reerguendo. O público responde a essa trajetória de superação, e a indignação muitas vezes dá lugar à aceitação – ou até à admiração – pelo fato de que essas figuras conseguem transformar algo negativo em algo positivo e lucrativo.

O cancelamento é, sem dúvida, um fenômeno poderoso no mundo das redes sociais. No entanto, como mostram os exemplos de Blake Lively e Beyoncé, o cancelamento pode ser mais uma curva no caminho do sucesso do que um obstáculo intransponível. Com uma boa estratégia de marketing e gerenciamento de imagem, o cancelamento pode se tornar uma ferramenta para alavancar novos produtos e reposicionar a carreira.
Porém, essa abordagem também levanta questões éticas. Até que ponto é válido capitalizar sobre algo tão volátil quanto o cancelamento? E será que o público está sendo manipulado por narrativas cuidadosamente construídas? São perguntas que ficam para reflexão, enquanto celebridades continuam a dominar o ciclo de notícias e a desafiar as convenções do marketing tradicional.
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